27 de agosto de 2009

Relacionamentos digitais

A uns 15 anos atrás muitas pessoas tinham mais dificuldades em se aproximar de alguem e dizer que tinha algum interesse nela. Hoje, embora as declarações sejam facilitadas por recursos tecnológicos como a internet e o uso das salas de bate papo, é preciso saber medir até que ponto essas relações são realmente verdadeiras, antes de entrar numa fria.


É verdade que a tecnologia está facilitando a aproximação, um dos maiores dilemas ao iniciar um relacionamento. “Hoje em dia a Internet se constitui na alternativa mais eficiente para aproximar duas pessoas, ainda que de forma superficial. Seria o caminho mais curto para começar a estabelecer o vínculo, antes de uma interação mais profunda”.

E quanto a estes relacionamentos é interessante observarmos o seguinte fenômeno: uma mudança nos interesses das pessoas. O aspécto físico tem passado para um lugar secundário, mostrando que muitas pessoas buscam a aquelas com quem possam ter afinidades. “Não que o físico não seja importante, mas ter afinidades e poder compartilhar idéias, planos, buscas, tem mobilizado muitas pessoas.

Mas se tratando de interações digitais é fundamental que estejamos atentos a várias questões.

A massificação do uso de portais como Orkut, MySpace, Facebook, com salas lotadas de gente querendo se conhecer e se encontrar mudou o formato do inicio de muitos relacionamentos, mas nestes encontros embora sejam pessoas reais, com experiências reais, devemos cuidar o grau de amizade e de relacionamento ao qual nos submetemos e principalmente com quais pessoas estamos nos envolvendo.

Sim, a web amplia e facilita o encontro de afinidades, mas ao mesmo tempo macula uma certa fragilidade nas relações estabelecidas por esse meio. “Nos alegramos em conquistar centenas de amigos em uma rede social, mas nunca encontramos pessoalmente nem a metade desses amigos digitais. A instantaneidade da rede tirou a profundidade dos relacionamentos, você chama outra pessoa de amigo por razões banais e quanto você não tem que encarar a pessoa novamente no dia seguinte é fácil desfazer uma amizade clicando em 'apagar contato”.

Eu estou chamando a atenção para as vezes que essa modalidade pode passar dos limites e, também, a necessária cautela. “Como as salas não proporcionam forma alguma de proteção, as pessoas se expõem muito mais do que deviam, por isso é preciso ter em mente que você poderá estar conversando com uma pessoa de boa índole, ou com alguém que nutra terceiras intenções e que não é bem o que aparenta.”

Para que essa aventura seja boa e não se transforme num pesadelo costumo alertar:

Nunca se repasse dados com os quais a outra pessoa consiga te encontrar de forma inesperada.

Jamais marque encontros a sós.

Vá sempre para um lugar onde tenha grande fluxo de pessoas ou leve alguma pessoa com você.

Também preste atenção no comportamento de seu amigo virtual e na forma dele se expressar.


“A falta de fronteiras da web nos dá um mundo de possibilidades, porém devemos criar limitações, pois talvez haja informações demais para serem acessadas de forma desorganizada”.

15 de agosto de 2009

Par perfeito

Ela tem pele, cabelo e corpo perfeitos. Anda de lingerie organizando a casa, é carinhosa, querida, perdoa traição e entende tudo de futebol.

É a mulher perfeita! E também, é claro, uma projeção.

Esta moça, criada pela mente de um homem que projeta o seu modelo de mulher ideal, existe no filme A Mulher Invisível de Cláudio Torres.

Uma comédia que conta, de forma leve e engraçada, as desilusões amorosas e o romance quase perfeito de um homem que ama, sonha e deseja alguém maravilhoso para compartilhar a vida.

Quase perfeito, porque tudo isso só acontece na sua fantasia, pois a deusa é fruto da sua imaginação.

No filme tudo começa quando este homem que sonha em ser feliz para sempre, ter filhos, etc... la pelas tantas sofre uma desilusão amorosa com a esposa, entra em depressão, não consegue resolver de forma saudável e passa a inventar uma substituta.

E, é claro, uma substituta ideal, perfeita, que satisfaz a todas as suas fantasias de modelo de mulher.

Na vida real isto também acontece, e como! Todos nós, “neuróticos” em maior ou menor grau, desejamos encontrar a projeção de parceiro ideal.

E até ai tudo bem, só é problema quando isto ultrapassa a noção de reais possibilidades do outro, seres terrenos e imperfeitos.

É comum, nos relacionamentos, as pessoas viverem uma espécie de busca de alguém ideal e tão perfeito que preencha tudo que se imagina.

E esta é uma questão que discuto muito com meus paciente no consultório, homens e mulheres que fantasiam alguém que conhecem a ponto de se apaixonarem imaginando que na convivência o outro vai lhe dar sopinha na boquinha pacienciosamente sempre, ou que vai estar disponível do jeito que imagina, ou que vai estar sempre com os cabelos sedosos, que não fume, não beba, abra mão sempre do futebol em função dos dois ou...

Aí vem a pergunta: perfeição existe?

Saibam que o companheiro de verdade é aquele que preenche um tanto das expectativas, aquelas coisas que gostamos e esperamos no outro, mas que tem coisas que não são bem aquelas que idealizaríamos, mas são o que o outro é e pode ser.

Portanto para que um relacionamento aconteça você precisa de uma noção dos seus desejos, do que é fantasia e do que se pode adaptar a realidade. Caso contrário a idealização sempre será muito grande e quanto mais na fantasia se coloca uma pessoa, mais rápida e facilmente a ilusão se desfaz.

8 de agosto de 2009

PARABÉNS NOVO PAI !!!

Quem é o pai atual? Esta foi a pergunta que a Vanessa, apresentadora do Jornal do Meio Dia da TVE, me fez hoje.

A minha resposta foi: um pai cada vez mais presente e verdadeiramente cuidador, pois aquele modelo de pai que nós conhecíamos - provedor, ausente e distante - está cada vez mais desaparecendo.

E ainda bem!

O pai de hoje quer estar presente, participar em tudo: no parto, trocar, dar banho, ir a reunião da escolinha, futebol ou aula de dança, repreender e motivar, dar a entrada do cinema e ir ao cinema junto...

E esta presença emocional tem sido a grande virada dos homens deste século no papel de ser pai.

Este homem que dá, junto com a mãe, a sustentação, não só material, mas de segurança emocional, é o que chamamos de cuidador. Pois saibam que cuidador deixou de ser a referência da mãe e passou a representar aquele que cuida. E do ato de cuidar também faz parte o dar atenção, afeto, respeito, dizer não, dar espaço e limites, motivar e repreender.

Cada vez mais pais e mães conscientes prestam atenção na valiosa presença emocional e de suporte equilibrado. Eles sabem que isto faz muito pelos serzinhos que educam e acompanham.

E por tudo isto: PARABÉNS NOVO PAI !!! Pela admirável dedicação e empenho em ser efetivamente pai.