20 de dezembro de 2009

Presente a alma humana


Um dos exercícios finais do grupo terapêutico deste ano foi um diálogo com o que cada pessoa tinha descoberto como seu lado sombra ou o seu principal ajuste criativo infantil. Aquela parte de nós que não é bem a nossa “essência” ou o verdadeiro “eu”, mas se faz presente nas nossas ações do dia a dia através de mecanismos de defesas, que muitas vezes nem precisamos mais.

O querido Luis Poeta, escreveu a sua carta de um jeito muito especial, o seu jeito. E eu pedi permissão para publicar, pois estamos em época de presentes e esta linda poesia é um presente a alma humana.

Obrigada pela riqueza Luis!

Feliz Natal a todos!

Carta para minha sombra

Finalmente
Agora entendo
O significado do perfeito equilíbrio
E sei que assim somos
Pois só há sombra
Se existir a luz
E assim sendo
Que diferença faz
De que lado estamos
Ou o nome que
A nós mesmos damos?
Yin e yang
Como disseram os chineses
O encontro do consciente e do inconsciente
Como disse Freud
Black and white
Como disse Michael o "Jackson"
Talvez a única
E real diferença entre nós
Seja a minha falta de compreensão
Da sutileza da vida
Com o que é por natureza
Tão frágil e delicado
Como o amor que nos envolve
Eu também sou a sombra
Do futuro luminoso
Que me espera
E que bom que assim seja
Pois tão importante
Quanto a luz do dia
Para que toda a vida aconteça
É a sombra da noite
Para que a nossa alma
Em silêncio e paz
Adormeça
Por isso te peço
Minha tão infinita
Luz das trevas
Se és o espírito
Que sejas o Santo
E me abençoe
Se és o Filho
Que me dê a mão
E me perdoe
Se és o Pai
Pietà, pietà
Pietà...


Luís Poeta

E quem quiser ver mais coisas bonitas pode visitar o blog do Luis, ele também pinta e expõe no Brique da Redenção. O endereço é: luis-poeta.blogspot.com


9 de dezembro de 2009

Os amantes de hoje

É curioso como alguns assuntos surgem de repente e passam a ser solicitados por pessoas de diferentes lugares.

Desta vez o tema são os modelos relacionais atuais e dentro destes modelos temos aquele que o centro da relação é o encontro afetivo-sexual, sem as características do namoro ou casamento (os amantes atuais).

Bem se a vida está solicitando...vamos lá.

O que acontece é que tenho observado e não só no consultório, um tipo de relacionamento que tem cada vez mais espaço nos encontros atuais, o modelo de amantes. De verdade não importa se uma das pessoas é casada ou ambos são solteiros. Mas o que os caracteriza é o formato da relação. Aquele tipo de relação que as pessoas se encontram uma vez na semana ou em um intervalo médio de quinze e quinze dias ou até mesmo de um mês, para transar e não tem compromisso. Isto tem acontecido muito.

Se funciona? Esta é a pergunta dos que de, alguma forma, não estão bem com isto.

Pode funcionar e até ser bem bom para algumas pessoas, desde que seja o desejo dos dois e não apenas de um dos dois. Porque tenham certeza, se um dos dois (mesmo que não diga) espera mais destes encontros afetivo-sexuais, mas o que está vivendo é só isso, vai sofrer ou no mínimo se frustrar.

É sofrer, em maior ou menor grau, nem que seja pelo aprisionamento de não ir em busca de algo que deseja, por estar com a falsa fantasia de que um dia isto vai mudar.

A estas “amantes frustradas” ou a as que volta e meia se pegam repetindo este modelo de relacionamento eu diria: a questão está no contrato que você está fazendo ou permitindo que a outra parte faça. Se você quer namorar e até casar não inicie um relacionamento que é só sexo, pois depois de estabelecido ele tem pouquíssima ou quase nenhuma chance de mudar.

É, em relacionamentos as pessoas fazem uma espécie de contrato implícito ou explicito e neste, logo no inicio, se estabelecem os acordos da relação e está incluído o tipo de relação que vai ser.

Algumas pessoas que já estão nessa diriam: Mas tem uma porção de coisas, ou ele não me disse que era assim ou, eu achei que a proposta era outra, ou descobri só depois. Bem ok, mas se não é o que você espera diga: Não! Eu quero ir ao cinema, quero alguém no meu aniversário, quero almoçar em algum domingo e.... quem sabe brindar o Ano Novo.

Não dá?

Querida(o) procure outra pessoa! ESTÁ CHEIO DE GENTE AÍ QUERENDO PRESENÇA TAMBÉM e se você não tentar pular o muro, não vai desfrutar do prazer de uma boa companhia no brinde de ano novo de 2011.

1 de dezembro de 2009

Um exemplo de crescimento


Esta carta, de uma paciente para sua sombra, fez parte de um exercício proposto no consultório.

Na semana passada a paciente me enviou por email e me autorizou a publicar. Ela disse ter a intenção de mostrar a todos os leitores as possibilidades de crescimento pessoal de um trabalho psicoterapêutico.

Para mim, Maria Ester é uma destas pessoas que muito fez pela sua melhora e hoje, com equilíbrio e sabedoria, desfruta a vida com leveza.


De Maria Ester - Carta para minha sombra

Obrigada por ter me apoiado até aqui, por ter me ajudado a crescer profissionalmente, a não ter tido filhos com um homem qualquer, pois assim não magoei mais ninguém, além de mim mesma. Sei que hoje, a questão da minha solidão não é muito simples de ser mudada, aliás, creio ser bem difícil.Mas, você me ajudou, me fez buscar e persistir na terapia, até chegar onde cheguei.

A partir daqui, quero convidar você para agir diferente.

Sabe, aprendi muita coisa. Aprendi que amar e perdoar é libertador, perene. Quando o perdão vem do coração, a gente fica livre, solta para alçar outros vôos.

Convido voê para a partir de agora me ouvir, ouvir a aceitação, a bondade a leveza, o amor, a soltura. Convido você a olhar para a vida com amor, e aceitar o que ela lhe oferece, sabendo que para tudo existe um porquê, que os fatos ocorrem para nos ensinar as lições que precisamos aprender a fim de evoluir na nossa trajetória como pessoa e ser espiritual que somos.

Aprendi que podemos dar o nosso amor de diferentes formas e, diferentes caminhos surgem quando abrimos o coração para amar.

Não pense como aquela criança magoada, que acredita que as coisas são sempre da mesma forma, que não mudam, que se não puder vestir o rosa, o verde não lhe cairia bem também, pois afinal, a criança é bela em sua essência verdadeira, independente da cor que vestir.

Hoje, aprendi a ser mulher, cuidadora, intuitiva, humilde para somar e compartilhar com as outras pessoas e também a valorizar o que tenho de bom.E mais, compreendi que eu mulher essencial sou bela de alma, íntegra.

Por favor, sei que tudo o que você fez foi por defesa e por medo, mas agora aceita esta mulher que surge, pois ela é capaz de te cuidar, acalentar, proteger com sua amorisidade e energia, porque ela seria capaz de matar quem fosse maltratar um ser indefeso e você é muito indefesa, por isso fez toda essa estratégia. Mas, agora ela não é mais necessária, pois sou estrategista e perspicaz, sei o que fazer, minha intuição me garante.

Quando a dor vier quero que você acredite e entenda que na vida as coisas não são lineares.Temos bons e maus momentos, e precisamos conviver com este fato.

Saiba que nas dores e momentos difíceis podemos aprender e evoluir na vida.

Creia que nos momentos de dor você encontrará a mão dos amigos que estão por perto e principalmente a mão de Deus, que sempre está presente, seja através dos amigos que se aproximam ou através da voz da intuição, a nossa voz interior que nos mostra o melhor caminho a seguir, nos acolhe.

Enquanto mulher, adulta, cuidadora, por diversas vezes tive essa exeriência e vou usar essa sabedoria e experência para cuidar de você, assim como uso para cuidar do meu pai, que hoje é um velhinho frágil e doente, que precisa de muita proteção.

16 de novembro de 2009

Repetições nos erros


É interessante como algumas situações se repetem e, mais interessante ainda, é percebermos que isto não acontece a toa. Cada um de nós faz suas interpretações quando se dá conta da repetição de tropeções, erros ou falhas.

Quando aparecem os relatos deste tipo de re-vivencias eu costumo tentar entender o que ainda não foi aprendido ou o que se deveria perceber e atenção: estou falando aqui das ciladas que nós mesmos nos colocamos.

Isto nos acontece, basta você notar que existem coisas que se repetem, que tem a mesma base ou o mesma causa e estas coisas sempre acabam lhe atrapalhando de alguma forma....

Hoje iniciei o dia com uma meditação e abri o I Ching. Uma parte do ensinamento era sobre as meditações enfermiças.

Os orientais falam muito da mente contemplativa, dizem que contemplar é observar a si mesmo e a vida. Este movimento pode ser muito rico para nos manter no presente, ajudar na compreensão das nossas ações e movimentos, aumentar a clareza de determinadas situações ...

Mas o jogo de hoje falava dos inúmeros momentos em que nos concentramos sim, mas em objetos que não constituem a realidade e que nos levam a estados mentais enganosos como o orgulho, a crença na infalibilidade ou, num ponto oposto, as inseguranças e a crença na incapacidade.

E é esta meditação, esta observação de si errônea ou jeito de se focar no problema com um “olhar” errôneo é que nos leva as repetições.

Ok, mas o que fazer?

Eu costumo sugerir que se entenda o que está acontecendo, olhando para o fenômeno e não para o porque e que, a partir disto, se re-observe a situação. Para isto é preciso abandonar a postura de queixa ou a “vitimização” e assumir um papel de quem também é agente no processo.

Ao resultado chama-se LIBERTAÇÃO.

11 de novembro de 2009

Conversando com Cláudia Guglieri de Novembro

Qual é o seu jeito de se relacionar?
Esta é a pergunta que vai direcionar a conversa do próximo encontro.

CONVERSANDO COM CLÁUDIA GUGLIERI são bate-papos informais com o objetivo de orientar, tirar dúvidas e compartilhar experiências.

O tema do próximo encontro – jeitos de se relacionar - foi inspirado no meu trabalho atual de consultório que une Gestalt-terapia e os princípios da Medicina Tradicional Chinesa.
Ao longo de alguns anos tenho observado que quando uma pessoa reconhece, o que chamo de seu perfil relacional, ela passa a compreender melhor suas interações familiares, amorosas, sociais e de trabalho.
Alem disto, entender que existem “jeitos” de se relacionar aumenta a compreensão do outro e isto facilita bastante nos relacionamentos.


Inicio: 19h
Local: Rua Freire Alemão 366 PoA
Inscrições pelo telefone 051 – 33337052
Investimento: R$ 30,00
Vagas limitadas – até 10 pessoas

Leia mais
Os chineses, no decorrer de sua história milenar, foram sábios observadores de fenômenos naturais e, destas observações, criaram modelos para sua medicina, entendimentos filosóficos e de suas vidas.
Entre estes modelos está o modelo dos cinco elementos de onde me inspiro para o trabalho com os perfis de personalidade.
Faz alguns anos que venho estudando as ciências orientais - as bases da Medicina Tradicional Chinesa - e adequando os cinco elementos e a perfis. Um estudo onde observo tendências de ser, sentir, pensar, se expressar e se comportar.

Estas tendências associadas aos elementos chineses estão se transformando em boas ferramentas para ajudar as pessoas a se compreenderem melhor e também compreenderem as pessoas com quem se relacionam.

Deste trabalho acabou surgindo um método próprio de atender, o Método Sheng dos cinco movimentos, que tenho testado com bons resultados em psicoterapia individual, casal e grupos.

8 de novembro de 2009

Gestação parte1

É faz um tempinho que não publico, mas os motivos são muito justificáveis. Meu ultimo mês foi de introspecção, muito havia para sentir e pouco espaço para escrever.

Tudo começou com enjôos, sono, muita fome e um grande desejo que fosse um nenê e era.

Aí vem o Enzo!

Um filhote querido e sonhado por alguns anos, hoje com três meses e dois dias. Pirralho que ainda nem deu as caras e já tem feito revoluções.

Pois a gestação, nossa!

É verdade que já acompanhei algumas tantas pacientes grávidas, tenho cursos e formações em desenvolvimento, li um bocado sobre gestação... Mas estar dentro do processo é bem diferente, me coloca na posição de simples mulher e mãe que agora sou e me dá uma maior aproximação da vivência emocional de outras tantas.

Sem duvida um momento existencial extremamente significativo no qual a presença da mistura de sentimentos traz a tona um tanto dos registros do passado, outro tanto daquilo que se tinha como elaborado e mais um punhado do que se anseia.

Uma revolução? Sim, mas sábia em sua sutileza e muito particular.

Cada mulher vivencia a sua gravidez de uma forma e esta vai depender de como tudo começou, se há parceria, do momento de vida em que se está e, é claro, de uma porção de aspectos psicológicos e físicos.

E foi pensando em algumas particularidades da vivência feminina e em mulheres, que como eu, sonhavam com o seu filho, mas passaram grande parte da sua história se dedicando a carreira que pretendo escrever os próximos posts.

Concluo confirmando às candidatas a mães: que é um estado especial sim, cheio de nuances e delicadezas, permeado de ambigüidades e de uma encantadora e inevitável sensibilização ao sentir, no qual a oportunidade de re-significar se faz presente a todo momento.

“Sinto-me encantada pela vida do meu filho, tocada pela sua imagem na ecografia, mais segura pelo apoio do meu marido e de pessoas da família e isto para mim é muito”.

7 de outubro de 2009

No processo de sentir-se vivo

A vida é uma constância de altos e baixos, muitos de nós experimentamos uma espécie de oscilação no dia a dia. Para algumas pessoas isto é mais perceptível para outras menos, mas todos nós passamos pelo inicio de uma necessidade e pelo processo que envolve a conclusão desta, que pode ser satisfeita ou não.

O que, normalmente, chamamos de alto é o conjunto de sensações prazerosas que acompanham a resolução satisfatória e o que chamamos de baixo é o certo desprazer da não resolução tão positiva. Ao meio termo costumo chamar de lugar de conforto ou acomodação e dependendo do enfoque ou de quem o está vivenciando pode ser um meio termo positivo ou não.

E é justamente nestes meios que quero me deter, ou seja no PROCESSO.

Em todo o fenômeno vivido existe um processo. O maior exemplo é o processo de vida da gestação a morte. Eu gosto de chamar este processo de GRANDE SUBIDA E DESCIDA DA MONTANHA.

Penso que é neste grande processo que temos a oportunidade de “crescer” como PESSOAS ou não.

E me agrada pensar que existe uma força interna e outra externa que está sempre nos impulsionando para o crescimento, mas o dia a dia me mostra que cabe a cada um de nós aproveitar ou não este estimulo.

Ao longo do tempo que venho acompanhando pessoas fui observando que umas tem mais facilidade em ler e traduzir estas oportunidades e outras não, pois se prendem em crenças que não as permite experimentar algo diferente e ir além.

Venho notando também que o ser humano se sente mais vivo enquanto se percebe em desenvolvimento. Um desenvolvimento que vai além dos desafios de ser criança e aprender, mas do qual faz parte dar continuidade...permitir-se ser um adulto com o privilégio de estar em processo de crescimento.

E saibam que existem muitas formas de nos mantermos “vivos”. É verdade que não existe uma receita mágica para isto e é justamente este o maior desafio da fase adulta: achar o seu jeito de estar subindo e descendo a montanha para assim SENTIR-SE VIVO.


29 de setembro de 2009

Casais modernos buscam equilibrio

Quero compartilhar com vocês esta entrevista que foi postada no site Sortimentos.

Entrevista com Cláudia Guglieri - Casais modernos buscam seu equilíbrio.

A troca de papéis cada vez mais acentuada provoca uma mudança no perfil dos relacionamentos atuais.

Cada vez mais o homem se sente à vontade para assumir funções domésticas que antes eram dadas às mulheres. Elas, por sua vez, aproveitam para se dedicarmais ao trabalho tornando-se mais competitivas. Uma troca de papéis que, se equilibrada, pode ser bastante positiva para os relacionamentos atuais.

À medida que os parceiros tomam essa consciência, torna-se mais prazerosa e eficiente a divisão de tarefas. “Os casais definem quem participa das reuniões, leva as crianças para a escola ou ao médico, sendo que atualmente quase 40% dos casais se organiza com os homens mais em casa e as mulheresmais na rua”, diz a terapeuta.

A mudança de comportamento dos homens com a família e a paternidade está ligada ao trabalho da mulher. Com um poder de ganho e profissionalismo cada vez mais próximo ao do homem, elas acabaram por dar mais espaçoaos parceiros dentro de casa. E eles gostaram. Conforme pesquisa do IBGErealizada em 2007, 60% dos homens entrevistados realiza atividades cotidianascomo fazer compras, e esse número aumenta para 70% quando se falaem executar tarefas domésticas.

Mais do que isso. 93% se consideram companheiros e dizem que suas parceiras podem contar com eles em qualquer situação, e mais da metade dos que já são pais afirmam que são capazes de cuidar da casa e dos filhos sozinhos.

Com tanta eficiência e interesse dentro de casa, as mulheres ficaram mais tranqüilas para se concentrar na profissão. E, desta forma, fortalecem ainda mais a troca de funções.

“A guarda compartilhada é cada vez mais comum,tornando os homens muito presentes mesmo após a separação”, ressalta Cláudia.

13 de setembro de 2009

Sou a Miss Imperfeita

Recebi este texto da Rosana. Integrante do grupo terapêutico é uma destas mulheres que não mede esforço para se desenvolver e, entre todas as coisas do dia a dia, acha tempo para SER.

'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação! E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.

Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.

Primeiro: a dizer NÃO.

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho. Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.

É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias! Tempo para uma massagem. Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto. Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar. Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.

Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.

E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'

Martha Medeiros - Jornalista e escritora

8 de setembro de 2009

Conversando Com Cláudia guglieri

Se você acha difícil se relacionar nos dias de hoje, tem algum tipo de problema nesta área ou simplesmente deseja melhorar seus relacionamentos venha participar dos encontros Conversando Com Cláudia Guglieri.

Estou convidando a todas as pessoas que desejam entenderem um pouco mais sobre seus relacionamentos a virem participar destes encontros informais. Eles estão programados para acontecerem sempre na segunda quinta-feira do mês e terão numero limitado de participantes.

Na próxima quinta-feira, dia 10 de Setembro o bate papo será guiado pela seguinte pergunta: Qual a sua dificuldade nos relacionamentos?

A proposta será iniciar os encontros tirando dúvidas, clareando dificuldades e entendendo como elas acontecem, para que todos busquem formas e caminhos para suas dificuldades nos relacionamentos.

Texto referência para o dia 10/09
A nossa capacidade de aprofundarmos relacionamentos e de nos vincularmos a alguém é construída ao longo das nossas experiências infantis. São destas experiências que nasce o nosso potencial para permitir proximidade, envolvimento, criar amigos, ser disponível, dar e receber amor, o nosso perfil relacional.

Conforme a pessoa vai se sentindo mais ou menos confiante no mundo e com os outros vai se permitindo abrir portas e experimentar mais, conforme vai se valorizando, gostando mais de si, se aceitando e se sentindo aceito vai se encorajando.

É preciso buscar recursos e soluções para este problema, o medo da rejeição, de não ser aceito e a falta de confiança, fazem com que muitos de nós, sem sabermos, organizem mecanismos para “evitar” os relacionamentos e assim a angustia ou ansiedade causada por passar por certas situações relacionais.

Venha discutir conosco estas e outras questões e, quem sabe, encontrar alguns caminhos.

O bate papo inicia as 19h e vai até as 21h, na rua Freire Alemão 366 PoA
É necessário inscrições pelo telefone 051 – 33337052
As vagas são limitadas.

27 de agosto de 2009

Relacionamentos digitais

A uns 15 anos atrás muitas pessoas tinham mais dificuldades em se aproximar de alguem e dizer que tinha algum interesse nela. Hoje, embora as declarações sejam facilitadas por recursos tecnológicos como a internet e o uso das salas de bate papo, é preciso saber medir até que ponto essas relações são realmente verdadeiras, antes de entrar numa fria.


É verdade que a tecnologia está facilitando a aproximação, um dos maiores dilemas ao iniciar um relacionamento. “Hoje em dia a Internet se constitui na alternativa mais eficiente para aproximar duas pessoas, ainda que de forma superficial. Seria o caminho mais curto para começar a estabelecer o vínculo, antes de uma interação mais profunda”.

E quanto a estes relacionamentos é interessante observarmos o seguinte fenômeno: uma mudança nos interesses das pessoas. O aspécto físico tem passado para um lugar secundário, mostrando que muitas pessoas buscam a aquelas com quem possam ter afinidades. “Não que o físico não seja importante, mas ter afinidades e poder compartilhar idéias, planos, buscas, tem mobilizado muitas pessoas.

Mas se tratando de interações digitais é fundamental que estejamos atentos a várias questões.

A massificação do uso de portais como Orkut, MySpace, Facebook, com salas lotadas de gente querendo se conhecer e se encontrar mudou o formato do inicio de muitos relacionamentos, mas nestes encontros embora sejam pessoas reais, com experiências reais, devemos cuidar o grau de amizade e de relacionamento ao qual nos submetemos e principalmente com quais pessoas estamos nos envolvendo.

Sim, a web amplia e facilita o encontro de afinidades, mas ao mesmo tempo macula uma certa fragilidade nas relações estabelecidas por esse meio. “Nos alegramos em conquistar centenas de amigos em uma rede social, mas nunca encontramos pessoalmente nem a metade desses amigos digitais. A instantaneidade da rede tirou a profundidade dos relacionamentos, você chama outra pessoa de amigo por razões banais e quanto você não tem que encarar a pessoa novamente no dia seguinte é fácil desfazer uma amizade clicando em 'apagar contato”.

Eu estou chamando a atenção para as vezes que essa modalidade pode passar dos limites e, também, a necessária cautela. “Como as salas não proporcionam forma alguma de proteção, as pessoas se expõem muito mais do que deviam, por isso é preciso ter em mente que você poderá estar conversando com uma pessoa de boa índole, ou com alguém que nutra terceiras intenções e que não é bem o que aparenta.”

Para que essa aventura seja boa e não se transforme num pesadelo costumo alertar:

Nunca se repasse dados com os quais a outra pessoa consiga te encontrar de forma inesperada.

Jamais marque encontros a sós.

Vá sempre para um lugar onde tenha grande fluxo de pessoas ou leve alguma pessoa com você.

Também preste atenção no comportamento de seu amigo virtual e na forma dele se expressar.


“A falta de fronteiras da web nos dá um mundo de possibilidades, porém devemos criar limitações, pois talvez haja informações demais para serem acessadas de forma desorganizada”.

15 de agosto de 2009

Par perfeito

Ela tem pele, cabelo e corpo perfeitos. Anda de lingerie organizando a casa, é carinhosa, querida, perdoa traição e entende tudo de futebol.

É a mulher perfeita! E também, é claro, uma projeção.

Esta moça, criada pela mente de um homem que projeta o seu modelo de mulher ideal, existe no filme A Mulher Invisível de Cláudio Torres.

Uma comédia que conta, de forma leve e engraçada, as desilusões amorosas e o romance quase perfeito de um homem que ama, sonha e deseja alguém maravilhoso para compartilhar a vida.

Quase perfeito, porque tudo isso só acontece na sua fantasia, pois a deusa é fruto da sua imaginação.

No filme tudo começa quando este homem que sonha em ser feliz para sempre, ter filhos, etc... la pelas tantas sofre uma desilusão amorosa com a esposa, entra em depressão, não consegue resolver de forma saudável e passa a inventar uma substituta.

E, é claro, uma substituta ideal, perfeita, que satisfaz a todas as suas fantasias de modelo de mulher.

Na vida real isto também acontece, e como! Todos nós, “neuróticos” em maior ou menor grau, desejamos encontrar a projeção de parceiro ideal.

E até ai tudo bem, só é problema quando isto ultrapassa a noção de reais possibilidades do outro, seres terrenos e imperfeitos.

É comum, nos relacionamentos, as pessoas viverem uma espécie de busca de alguém ideal e tão perfeito que preencha tudo que se imagina.

E esta é uma questão que discuto muito com meus paciente no consultório, homens e mulheres que fantasiam alguém que conhecem a ponto de se apaixonarem imaginando que na convivência o outro vai lhe dar sopinha na boquinha pacienciosamente sempre, ou que vai estar disponível do jeito que imagina, ou que vai estar sempre com os cabelos sedosos, que não fume, não beba, abra mão sempre do futebol em função dos dois ou...

Aí vem a pergunta: perfeição existe?

Saibam que o companheiro de verdade é aquele que preenche um tanto das expectativas, aquelas coisas que gostamos e esperamos no outro, mas que tem coisas que não são bem aquelas que idealizaríamos, mas são o que o outro é e pode ser.

Portanto para que um relacionamento aconteça você precisa de uma noção dos seus desejos, do que é fantasia e do que se pode adaptar a realidade. Caso contrário a idealização sempre será muito grande e quanto mais na fantasia se coloca uma pessoa, mais rápida e facilmente a ilusão se desfaz.

8 de agosto de 2009

PARABÉNS NOVO PAI !!!

Quem é o pai atual? Esta foi a pergunta que a Vanessa, apresentadora do Jornal do Meio Dia da TVE, me fez hoje.

A minha resposta foi: um pai cada vez mais presente e verdadeiramente cuidador, pois aquele modelo de pai que nós conhecíamos - provedor, ausente e distante - está cada vez mais desaparecendo.

E ainda bem!

O pai de hoje quer estar presente, participar em tudo: no parto, trocar, dar banho, ir a reunião da escolinha, futebol ou aula de dança, repreender e motivar, dar a entrada do cinema e ir ao cinema junto...

E esta presença emocional tem sido a grande virada dos homens deste século no papel de ser pai.

Este homem que dá, junto com a mãe, a sustentação, não só material, mas de segurança emocional, é o que chamamos de cuidador. Pois saibam que cuidador deixou de ser a referência da mãe e passou a representar aquele que cuida. E do ato de cuidar também faz parte o dar atenção, afeto, respeito, dizer não, dar espaço e limites, motivar e repreender.

Cada vez mais pais e mães conscientes prestam atenção na valiosa presença emocional e de suporte equilibrado. Eles sabem que isto faz muito pelos serzinhos que educam e acompanham.

E por tudo isto: PARABÉNS NOVO PAI !!! Pela admirável dedicação e empenho em ser efetivamente pai.

20 de julho de 2009

Coisas de amigos

Canção da América

Amigo é coisa pra se guardar
Debaixo de 7 chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção
Que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver seu amigo partir

Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa pra se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam não
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração
Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo eu volto a te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar

(Milton Nascimento/Fernando Brant)

11 de julho de 2009

Grupo Terapêutico Viver é se relacionar

Você pode não perceber, mas os relacionamentos direcionam a sua vida. Eles lhe influenciam muito mais do que você imagina, da vida afetiva à carreira profissional, do convívio social às crenças espirituais.

Em psicoterapia eu costumo mostrar aos pacientes como isso acontece e o quanto vai além do alívio da solidão, da concretização de desejos e das satisfações no amor e na amizade.

O jeito que cada um tem de “enxergar o mundo”, as formas de ser e a maioria das vontades começaram nas experiências iniciais e é a partir delas que se definem caminhos e prioridades.

Nos grupos terapêuticos venho desenvolvendo um trabalho que passa pela influência relacional nas cinco áreas principais da vida (relacional, profissional, social, lúdica e espiritual) para que apareçam de onde vêm as motivações, capacidades ou dificuldades nestas áreas e para que as pessoas possam achar soluções para muitos dos seus problemas.

Grupo Terapêutico com o Método Sheng

Início: Agosto e Setembro/2009
Encontros quinzenais, às quintas-feiras, das 19 às 21 horas

Informações: 51- 33337052 /
Local: Rua Freire Alemão 366 Porto Alegre


O trabalho trata-se de um processo que compreende as seguintes fases:

Descobrindo meu movimento natural (perfis de personalidade)
Durante sua trajetória, cada pessoa desenvolve alguns aspectos em detrimento de outros e, naturalmente, algumas áreas importantes da vida acabam sendo deixadas em segundo plano. Nos primeiros encontros cada integrante do grupo é estimulado a descobrir seu próprio movimento, ou seja, seu jeito de ser e agir, identificando suas habilidades, dificuldades e a forma encontrada para se adaptar a elas.

Desfazendo travas, desenvolvendo movimentos e equilibrando as cinco áreas da vida
Após a identificação do seu movimento natural, cada membro do grupo irá analisar sua forma de agir passando pelos cinco elementos que representam as cinco áreas da vida (relacionamentos afetivos, vida social, carreira profissional, aspecto lúdico e criativo, sentido espiritual). A partir daí será possível rever os pontos onde cada um tem dificuldades e o que o leva a isto, para que se possa achar formas de enfrentar conflitos, refazer escolhas, reeleger prioridades e se desenvolver positivamente em todas as áreas da vida.

Um novo olhar sobre mim nos relacionamentos e nas diferentes áreas da vida
A partir das trocas de experiências e do compartilhamento de diferenças e semelhanças ao longo dos nove meses, cada integrante do grupo trará novos significados para determinadas situações da sua vida. Com um novo olhar sobre o próprio modo de ser e agir, a pessoa será capaz de valorizar suas habilidades e encarar as dificuldades como desafios a serem superados com mais tranqüilidade e harmonia.

O que é o Método Sheng?

O Método Sheng foi criado com base nos cinco movimentos da Medicina Tradicional Chinesa (madeira, fogo, terra, metal e água) e nos princípios da Psicologia da Gestalt. Esses movimentos são associados a perfis de personalidade auxiliando no diagnóstico de problemas e na identificação de habilidades. A pessoa passa a ver com mais nitidez suas formas de ser, sentir e agir e é convidada a refletir e planejar novas maneiras de resolver suas dificuldades.

10 de julho de 2009

Nunca é tarde demais


Nunca é tarde demais
Ou cedo demais
Pra ser quem você
Quiser ser
Não há limite de tempo
Comece quando você quiser
Você pode mudar
Ou ficar como está
Não há regras
Para esse tipo de coisa
Podemos encarar a vida
De forma positiva ou negativa
Espero que encare
De forma positiva
Espero que veja coisas
Que surpreendam você
Espero que sinta coisas
Que nunca sentiu antes
Espero que conheça pessoas
Com ponto de vista diferente
Espero que tenha uma vida
Da qual você se orgulhe
E se você descobrir
Que não tem
Espero que tenha forças
Pra conseguir começar
Novamente...

Este texto do filme "O Curioso Caso de Benjamin Button" foi enviado pelo amigo Luis Poeta. Me fez lembrar das
metamorfoses que, querendo ou não, nos levam ao crescimento. Por que não aproveitar os empurrões da vida e se dar a chance de se sentir borboleta?


26 de junho de 2009

Sinta-se Vivo!


“O tempo se vai. As vezes, penso que precisaria viver apressado, tirar o máximo proveito destes dias que me restam. Hoje em dia, qualquer um pode me dizer, depois de esquadrinhar as minhas rugas: “Mas o senhor ainda é um homem jovem! Ainda. Quantos anos me restam de ‘ainda’”? Penso nisso e me dá pressa, tenho a angustiante sensação de que a vida me foge, como se minhas veias se tivessem aberto e eu não pudesse deter meu sangue. Porque a vida são muitas coisas (trabalho, amizade, saúde, dinheiro, complicações), mas ninguém vai me negar que, quando pensamos nesta palavra, Vida, quando dizemos que ‘nos agarramos a vida’, estamos assimilando-a a outra palavra mais concreta, mais atraente, mais seguramente importante: estamos assimilando-a ao Prazer. Penso no prazer ( qualquer forma de prazer ) e tenho certeza que isso é vida.”

Este trecho foi retirado do livro “A Trégua” de Mario Benedetti , trata-se de uma reflexão do personagem sobre o tempo e a vida prestes a completar 50 anos.

Pois a verdade seja dita: a natureza humana reivindica por Vida.

Eu não gosto de previsões, mas algumas coisas são inevitáveis de serem previstas e uma delas é que, mais cedo ou mais tarde, algo em você vai cobrar esta sensação de estar Vivo.

Outro dia fui assistir uma comédia brasileira que chama “Divã” de José Alvarenga Junior. No seu divã a personagem – atriz Lilia Cabral - dizia estar feliz, mas com alguma coisa que precisava mudar e não sabia bem o que era. Ela acaba mudando a vida através da separação e ok, ela achou um recurso para dar vitalidade e prazer a sua vida e o fez através disto. Mas a que preço? Eu saí do cinema pensando que o caminho que ela tinha escolhido não tinha volta mesmo e que, para ela, só restava ir adiante e fazer o melhor para ser feliz e, de fato dar espaço, para as suas coisas pessoais. O que ela faz.

Mas a questão é que existem muitos jeitos de se dar sentido e prazer à vida e nem sempre se precisa mudar tudo tão radicalmente. Muitas vezes podemos trazer este sentido de vitalidade re-significando o que existe, mudando a forma e equilibrando áreas da vida.

Para alguns, um pouquinho mais de aventura, para outros um espaço para cultura ou quem sabe mais trocas afetivas. Eu sempre digo que temperar com pequenos desafios dá um colorido especial a vida, e que cada pessoa tem o algo que um dia deixou de lado lá bem guardadinho em uma gavetinha chaveada. Quem sabe?

Cada vez mais eu acompanho pessoas que, de alguma forma, foram orientadas para seguirem um caminho que trazia mais segurança, respeito, validação, etc. Muitos foram bem sucedidos neste caminho e hoje se orgulham disto, mas por conta de muita dedicação a uma área especifica perderam coisas importantes que, de alguma maneira, hoje fazem falta.

Os chineses tratam de qualquer questão pelo modelo dos cinco elementos e eu ao associá-los a psicologia abordo cinco áreas fundamentais que pulsam em todos nós buscando satisfação: a material, que nos traz segurança de subsistência (nosso movimento Metal); a afetiva amorosa, que nos nutre das sensações de ser amado, amar, dar e receber afeto ( movimento Terra ); a social relacional, nas quais as interações familiares e de amizade respondem pelas nossas validações e confirmações diversas ( movimento Fogo ); a de lazer, de prazer lúdico e criativo, cuja curiosidade e o desejo de conhecer e experimentar agrega ao pessoal (movimento Madeira) e a área que já foi mais relacionada a religião e hoje é ampliada para o espiritual, que nos dá o conforto e a noção de “sentido maior” quanto ao estar vivo (movimento Água).

Entenda que não estou falando de perfeição ou plenitude total. Ser feliz, ou seja, sentir-se Vivo não tem a ver com perfeição, tem a ver com dar espaço e abrir possibilidades.
Cláudia Guglieri

19 de junho de 2009

Porque todos nós temos talentos

Agora as sextas é das pessoas que venho acompanhando na suas jornadas de crescimento, a proposta é dar espaço para que as pessoas possam se colocar e mostrar seu potencial. O Luis mandou o recado de hoje através de uma poesia.

Lê-la é um desfrute e um aprendizado.

Do amor insaciável

Seria mais fácil represar os rios.
Emudecer o trovão.
Pedir que as águias contenham-se no solo.
Do que tentar entender o amor dos que não amam.
Do que tentar entende o amor dos que não se amam.
Nunca estive tão perto da idéia do quanto as coisas são transitórias.
Nunca vi tantos mortos em volta.
Nunca vi tantas coisas se acabando ao mesmo tempo.
O que afinal vai sobreviver?
O que deixaremos sobreviver?
Que sentido a vida terá além disso?
E existirá vida além disso?
Não quero ser apenas um sobrevivente.
Aquele cara inesquecível cuja a única qualidade é a de ser inesquecível.
O esvaziamento do eu pelo simples esvaziamento.
Trocar seis por meia dúzia.
Ser da oposição do contrário oposto de si mesmo.
Fazer da utopia um idealismo.
Provar que nada faz sentido.
Nadar, nadar, nadar, pra depois morrer na praia.
Sozinho!
Pra onde a gente estava indo mesmo?
Amor ou política amorosa?
Freud ou Jung?
Ninguém precisa nem merece isso.
Nem a puta que pariu.
Chega de gurus.
Chega de mestres.
Que as rádios façam um minuto de silêncio.
Que o bisturi dos cirurgiões parem no ar.
Que o teor de nicotina seja um pouco menor.
Que o grama do ouro não seja tão caro.
Ou não vai sobrar um único porque, uma única razão para se estar vivo.
Mas não.
Nós sabemos tudo.
Tudo.
A vida é como um joguinho Lego.
A gente monta e desmonta quantas vezes quiser.
Quem não quiser a gente chama de insensível.
Todos vão querer.
Menos eu...
Eu prefiro acreditar que há vida em Marte!

Luís Poeta

17 de junho de 2009

Pensamento

Foi enviado por um querido amigo e cliente
"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios.Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche"
Arnaldo Jabor

16 de junho de 2009

Meditando com o I Ching


O I Ching é o antigo livro de orientações chinês, ele pode nos ajudar no nosso processo na vida. Podemos consultá-lo para tomarmos decisões, para entendermos movimentos das pessoas, para compreender situações...

Hoje fiz a meditação do I Ching e pedi uma orientação para quem lesse o blog.

Aproveite! Esta orientação refere-se as suas situações do momento.

A Grande Força Subjugada –
Hexagrama 26 (Ta Chu)

Acima: Ken – montanha, os obstáculos, a calma
Abaixo: Chien – o céu, a criatividade, o poder


Comentários

Na composição dos trigramas para Ta Chu temos os atributos da maior força, da mais substancial solidez, a qual emite uma luz brilhante; e indica que a renovação é diária.

Indica um valor estabelecido sobre talentos e mérito; existe poder (no trigrama superior) para manter o mais forte em limitação e em “a grande retidão” (requerida no hexagrama)

“Será vantajoso atravessar a grande correnteza”.


“A boa sorte unida aos sujeitos que fazem a refeição fora de casa (não procuram gozar as recompensas na sua família)” mostra como talentos e méritos são estimulados.

Inicia-se a construção de uma via sem erros que o ajudará a nutrir todas as pessoas.
Neste exagrama está contida a idéia de retorno, como se um grande rei retornasse a seu reino depois de um grande período de ausência. No retorno ao grande caminho ele inclui mais um elemento, já pensa em nutrir e ajudar os sábios homens desenvolvendo adeptos ao caminho.

Em razão da mente contemplativa após a (“a grande retidão” ) ele atinge sua primeira consciência e retorna a essência sem erros. Porem, mesmo assim, deve continuar refinando sua mente. Isto realiza nas experiências da vida entre os homens comuns e, por este motivo, se diz “fazer as refeições fora de casa traz boa fortuna” .

“É benéfico cruzar a grande água” traz a idéias de que a tarefa é coberta de responsabilidades e, se analisarmos o todo do hexagrama, vemos a importância do desenvolvimento interior.

Ken – a montanha – é filho do Céu na Terra, ou seja, a solidez vem pela estrutura da força espiritual ou sábia – carrega a certeza inabalável que depende de tempo.

"Só com o tempo aprendemos a confiar na própria sabedoria".


4 de junho de 2009

Fique bem


Não deu certo? Não saiu exatamente como você esperava e você ficou péssimo.

É, quando as coisas não saem do jeito que se imaginou é ruim mesmo, mas não se pode deixar que isto seja tão penoso, que lhe tire o chão ou o desequilibre tanto.

É comum e natural idealizamos um resultado quando fazemos planos e nem sempre este resultado é exatamente do jeito que pensávamos. Ou melhor, na maioria das vezes não é exatamente igual porque a realidade nunca é igual a idealização.

A vida é feita de variáveis e oscilações de todos os tipos e por conta disto estamos sempre tendo que lidar com frustrações.

Frustração é um sentimento de descontentamento que surge quando uma pessoa não realiza desejos ou expectativas e é uma das principais causas de desequilíbrios emocionais e comportamentais.

Dependendo de como uma pessoa lida com esta emoção ela se sentirá mais ou menos satisfeita com a vida. Notaram a sua importância?

Olhem só...pessoas que lidam bem com as frustrações tem mais prazer na vida, conseguem ver e viver o bom que se oferece e se satisfazem muito mais.

Esta variação entre o que esperamos e o que retorna das pessoas ou dos projetos influenciam muito a nossa vida, mais do que possamos notar. Cada vez mais as pessoas estão presas em suas idealizações exatas que ditam o quanto são capazes ou não, vencedoras ou não, o quanto agradam ou não, tanto nos relacionamentos como no profissional.

É meus amigos, muito do descontentamento do dia a dia é fruto de pequenas frustrações.

O pré-requisito exato “tem que ser assim” é primo do descontentamento que é casado com a insatisfação e estes dois geram raiva, tristeza, melancolia, ressentimento e muitas vezes acabam em resignação ou apatia.

Não saiu como você esperava? O que fazer?

Para aquelas coisas que não saíram bem iguais ao imaginado pense que as coisas nunca são exatas, podem ser no máximo próximas do que se esperava.

Para aquelas cujo retorno realmente não houve ou não pode se concretizar existe duas formas saudáveis de lidar.

Tendo em vista qual o objetivo inicial, a primeira delas é criar um plano B e adaptar o esperado ao possível do momento, lembrando da das variações nas respostas; a segunda é mudar totalmente de caminho sem perder o foco, pois o desejo perseguido deve contemplar o objetivo inicial com as devidas variações de retorno, é claro.

Mas atenção! Para os dois casos é necessário FLEXIBILIDADE, ela é o pano de fundo que permite as respostas positivas, pois sem ela a rigidez do “deveria ser assim” trava tudo.

Portanto se você esta aí muito descontente com aquilo que sonhou daquele jeito, repense se só poderia ser assim mesmo... ou se não há outro caminho...

E, se apesar das dicas ainda não conseguir se livrar do descontentamento, me procure.

27 de maio de 2009

Para casais

Texto retirado da entrevista publicada no Jornal do Brasil com o escritor e rabino Nilton Bonder. Bem interessante!

Paixão, amor, casamento, separação, fidelidade, ciúmes...

Nilton defende que a natureza humana é transgressora. Diz que há implantado no ser humano um desejo tão profundo de se superar e transcender, como o de procriar. Estas seriam as duas grandes diretrizes humanas - perpetuar-se e trair-se. A idéia de traição é usada não no sentido da falta de honestidade, mas do desejo de rompimento para que novas possibilidades de vida possam aflorar.

Entrevista

- O que faz uma pessoa se apaixonar por outra? - O que nos apaixona é uma medida de equilíbrio entre estímulos biológicos, psíquicos e culturais. O que nos leva à paixão é a sensação existencial de termos encontrado a pessoa que nos permitirá a realização dos mais importantes desígnios da vida. Há muito de biológico e espiritual no que normalmente entendemos apenas como uma emoção.

- Por que quase todas as pessoas desejam casar? - Os seres humanos têm como mandamento maior a procriação. Este é um entendimento que une tanto ciência como religião. A psicologia evolucionista iniciada por Darwin e o relato bíblico sobre Adão e Eva nos mostram que o mandamento maior de um ser vivo é multiplicar-se. Esta é uma questão de nossa espécie. Nascemos para amadurecer até a idade de sermos férteis para procriar e depois de terminada esta etapa nosso corpo é lentamente descartado. O casamento é, portanto, o cumprimento de um mandamento muito profundo em nós. Não é moralismo, mas biologia e vida. As pessoas se casam para cumprir este mandamento maior da existência.

- Por que, atualmente, existe tanta separação? - Não é casar que esta em crise, mas o tipo de casamento que praticamos. Estamos vivendo transformações muito profundas na civilização. Por um lado "multiplicar-se" num mundo de super-população pode ser um atentado à própria vida; por outro, "para toda a vida" com a expansão de nossa longevidade, pode ser muito tempo. Estamos vendo lentamente surgir uma nova moral que não exige "até que a morte os separe" ou que não entende sobreviver apenas por "multiplicar-se". Saímos dos modelos da poligamia e monogamia voltados para a sobrevivência pela procriação e entramos na era da monotonia. Muitas pessoas se separam porque casaram-se com uma concepção da moral e descobrem lentamente que esta não dá conta de seus anseios e necessidades. O eixo do casamento vem se tornando mais o próprio indivíduo com sua necessidade de afeto e troca do que o próprio conceito de família. Isto é complicado e obviamente apresenta perigos. Mas sobreviver neste mundo de hoje talvez dependa mais de não deprimirmos, de não
vivermos hipocrisias, de mais entrega e de mais troca do que simplesmente garantirmos mecanismos de "multiplicação".

- Por que as pessoas exigem fidelidade no amor? - Acho que a questão da fidelidade está muito ligada à questão da rejeição. Nenhum ser humano gosta de ser rejeitado e é muitas vezes isto que experimentamos nas situações de infidelidade. A dor daqueles que são traídos é muitas vezes um luto insuportável. É a morte de si mesmo. Mas a fidelidade é em grande medida uma questão cultural. Nossa civilização criou critérios morais de conduta que têm ou tiveram a intenção de proporcionar as melhores condições de paz social. A fidelidade tornou-se um importante mecanismo de convivência. E as sociedades estipulam propositalmente que um homem ou uma mulher só deve ser respeitado na medida em que tem seu parceiro amoroso sob controle. A infidelidade se torna uma prova de fracasso social e é coibida não só na reprovação ao infiel, como pela vergonha aplicada ao traído. Existem culturas (e certamente outras espécies) onde a fidelidade não é uma questão prioritária. É óbvio que não estamos falando dos atos de deslealdade ou de malícia que são, por definição, atos de violência e agressão.

- É possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? - Não é possível estar apaixonado por duas pessoas ao mesmo tempo. A paixão é um sentimento absoluto de entrega e não comporta mais do que um protagonista. O amor, por sua vez, é um sentimento menos obsessivo que a paixão. Acredito que todo casamento ou relação duradoura deve ser composto de amor e surtos de paixão. Sem estes "surtos" o amor se torna um sentimento difuso no que diz respeito à exclusividade. Isto porque é possível amar não só duas, mas dez ou todas as pessoas deste planeta. Todo o casal que não sente estes surtos de paixão de tanto em tanto, em meio ao cotidiano, que é em grande parte preenchido apenas por momentos de ternura e companheirismo, perde a condição de exclusivismo. Entenda-se que não é necessário ser adúltero para, mesmo assim, ser infiel.

- Você acha que o casamento vai continuar existindo no século XXI?
Como vai ser? - Acho que vai. Temos necessidades tanto de estruturas familiares como também da profundidade de relações que advém do compromisso. Aliás isto é importante: seres humanos não detestam compromissos, muito pelo contrário. A vida sem compromissos verdadeiros nos carrega à depressão e ao desânimo. Acho que continuará a existir uma cerimônia de casamento como a de hoje: rituais não estão perdendo a força, e a função de tornar público o status de uma relação também continua existindo. A médio e longo prazo, no entanto, acredito que as relações humanas serão drasticamente modificadas pelas condições de vida e sobrevivência no planeta. Foram elas sempre que construíram as convenções sociais.

- O que você acha do ciúme? Faz parte do amor? - Acho que sim. Sentir ciúmes pode ser uma emoção bastante saudável. Serve como um sinal de que valorizamos nossa relação com o outro. Pode dar colorido e enriquecer uma relação. Se, no entanto, o que estiver promovendo o ciúme é a baixa auto-estima, então a situação se reverte. Não há nada mais sufocante do que a insegurança de alguém que aposta no controle do outro ao invés de lidar com as suas questões.

- Que conselhos você daria para uma pessoa que acabou de se separar?
- Primeiramente honrar seu luto. A separação traz sempre sentimentos muito difíceis e coloca a complexa questão de quanto romper e quanto preservar. Na separação com filhos, além da generosidade que deve existir na resolução das pendências materiais, cabe compreender que um homem ou uma mulher que se separam nestas condições terão que preservar certos níveis de relação. Ninguém com filhos se separa totalmente do passado e aceitar isto é ser "gente". Uma vez acertada a vida e as responsabilidades com o passado, surgem as com o futuro. Acho que se deve ter fé de que a vida nos surpreenderá com a paixão novamente. Muitas vezes o recém separado não crê nisto. Uma das alegrias mais bonitas é resultante desta surpresa.

22 de maio de 2009

Estou de volta!

As férias foram ótimas e ainda estou digerindo tudo que vi e senti. Então para retomar nossos bate papos, mas com tudo presente, pensei em escrever sobre arte.

A Europa foi e sempre será o mundo dos mestres da pintura e eu fiquei encantada com o que vi e como cada um vê com os olhos que tem...

É impressionante o que foi produzido e dito do humano ao longo da história através das artes. A arte sempre foi um veiculo de comunicação e a igreja a usou como forma de educar o povo, passar mensagens morais. Mais ao longo da historia apareceram aqueles que além de comunicar tinham a clara intenção de fazer pensar e ainda aqueles que a usavam para protestar.

Foi fantástico ver as obras que vi, imaginando intenções ou momentos das pessoas que as propunham.

Algumas me tocaram mais. O Jardim das Delicias Terrenas do Bosch, que expressa o íntimo “pecaminoso” do humano, porém, com um certo deboche caricaturado, foi um deles.

Quando parei na frente desta obra me vinha a idéia de loucura traduzida por uma espécie de diálogo trágico, brincalhão e também uma genial mensagem de juízo que, para mim, explicita a intenção de que este juízo se dá aqui mesmo dentro das nossas mentes... “Só a mente é capaz de tais criações e fantasias tão grandes”.

E o mais fascinante é saber que suspeita-se ter sido pintado por volta de 1487 !


Outra pintura que me encantou também pelo caráter humano e divertido foi El Triunfo de Baco de Velásquez. Eu e o meu marido até compramos uma bandeja do quadro, naquelas conhecidas lojinhas de saída da visita de museu.

Neste não senti a loucura e menos ainda o pecaminoso, ao contrário, vi a permissão... Para quem não conhecem trata-se de uma cena em que o deus Baco está bebendo com simples mortais que, como eu imaginava, foram homens de fato beberrões que serviram de modelo para o pintor.


E já que estou falando de pinturas que tem pretensões, não poderia deixar de citar o famoso Guernica de Picasso. É um painel e tanto, realmente assombroso e encantador em conseguir atingir aos propósitos a que vem: criticar a ação estúpida e violenta do homem sobre o homem. Foi pintado com intenção clara de criticar e chamar a atenção para o massacre em Guernica em 1937. Depois fiquei sabendo que tratou-se de um exercício nazista para testar armamentos...

Bem, e assim seguem os dias e a minha esperança é que sigam também os registros, já que tudo mudou tanto e a pintura perdeu muito espaço no comunicar.

Mas saibam: de fato existem coisas lindas por ai, mas arte mesmo é saber apreciá-las cada um do seu jeito.

29 de abril de 2009

Sexo na adolescência

Perdoem a pequena ausência, mas os ultimos dias foram de muito trabalho

Neste meio tempo ministrei a oficina Como amar e ser amada nos dias de hoje e foi muito bom. Na sexta passada encontrei uma das participantes que me disse já ter conseguido rever pequenas atitudes na relação com a filha.

Estes retornos que validam o meu esforço e justificam o tempo de dedicação.

Mas nem tudo se sai tão bem e algumas coisas acabam não acontecendo do jeito que nós esperamos. Nesta mesma sexta participei de um programa de rádio, convidada para dar orientações a jovens a respeito de sexo. Foi interessante, pois nos bastidores todos aproveitaram bastante, porém acabei saindo com uma sensação de ter sido superficial e ter deixado passar detalhes importantes, um pouco pelo tempo outro pouco pela dificuldade de concentração.

De todas as perguntas e casos a que mais me chamou a atenção foi a dúvida de um menino quanto ao medo de iniciar uma relação sexual com outro menino e sua dificuldade em conversar sobre isso com os pais. Não tenho certeza da pergunta e talvez nem tenha entendido direito, pois veio por MSN e foi lida para mim, mas acredito que ele disse que achava que era gay e estava com estes medos.

Sobre o medo de iniciar e sobre os pais eu falei, mas o que me faz voltar a esta questão é o fato de não ter deixado claro para este menino que a adolescência é uma fase de experimentos em vários sentidos. Isto se dá para que se propicie decisão e escolhas próprias e, desta forma, vão se definindo identidades.

E ai eu destaco algo importante que perturba uma porção de jovens e por isso não posso deixar passar, só porque nesta fase se deseja alguém do mesmo sexo não significa que se seja gay.

Isso lhe parece estranho? Pois é, mas acontece e muito, porque a adolescência é a fase das ambigüidades, dos experimentos e das escolhas.

Acreditem! As inquietações, a rebeldia ou a timidez vão diminuindo quando, aos poucos, cada um vai percebendo o que realmente gosta, que jeito é o seu ou o que de fato acredita, e com a sexualidade é a mesma coisa.

No início das relações sexuais acontece a mesma coisa, um pouco de dúvidas, medos e ansiedade fazem parte. Tudo é novo e não dá para querer fazer igual ao amigo, mesmo sendo da turma, ele tem os desejos diferentes dos seus, as fantasias também e talvez espere outras coisas das relações sexuais.

Portanto aí vão os meus conselhos para a galera que está desabrochando e fazendo as primeiras investidas e uma referência para os pais das principais dúvidas.

Não tem idade padrão para iniciar, cada um tem o seu momento. Portanto não vá na pilha dos outros! Faça as tuas avaliações, sinta e reflita se é a tua hora, se está pronto, etc... E que se dane o que podem dizer, essa pressão da turma é muito palha.

Ô guri! Tu tá na fase de que chegam a doer as mãos de tanto brincar sozinho e as vezes se sente mal por isso. Pois não se sinta, é isso ai, são os teus hormônios... Não tem problema nenhum e muito menos é pecado.

Prás meninas vale a mesma dica, se tocar, se descobrir, se experimentar só vai fazer bem e não tem nada de pecado nisso, ao contrário, vai te ajudar um bocado a futura mulher e é muito prazeroso. Vou até te dizer prá ter coragem e se experimentar sem ter vergonha de si mesma.

Olha só, sei que querendo saber como é e também para se inspirar o pessoal vai ver filmes pornôs, principalmente os meninos, e tudo bem não tem problema e até, se você já tem idade para isso, pode ser divertido.

Mas atenção meninos, na realidade não é bem assim como mostra ali, as meninas costumam gostar de bem mais romance do que aquele direto ao ponto do filme. Os filmes mostram uma realidade que não tem nada de carinho e de delicadeza e se tu chegar em uma garota e não fizer uns carinhos, dar uns beijinhos e namorar um pouco antes do “rala-e-rola” vai ser ruim pros dois.

Outra coisas IMPORTANTÍSSIMA ... O negócio é serio, CAMISINHA, mesmo que vocês tomem outras preclusões anticoncepcionais, não é só a gravidez tem também as doenças sexualmente transmissíveis. Algumas delas podem ser muito chatas e outras terríveis. Fica ligado!

Ter desejo por alguém do mesmo sexo, não significa ser gay. Tranqüilo, nesta fase até é normal, pare de te condenar por isso e faça o que sentir que é para você e se você se der conta que é por aí, ok, cada um na sua.

Sei que é difícil falar com os pais, tem pai que não dá abertura e tem pai que dá, mas tu não é a fim de falar com eles. Ok, não se obrigue que vai ser pior.
Deve ter uma tia ou tio, um primo ou irmão ou qualquer alguém já adulto e experiente por perto. Não fique com dúvidas tire com esta pessoa ou me procure!

Se esqueci de algo me retorna e me pergunta, vou responder só depois do dia 15/05 porque até lá estarei de férias.

Beijos pra galera.

15 de abril de 2009

Como amar e ser amada nos dias de hoje: vença este desafio !!!

Neste sábado, dia 18 de abril estarei ministrando uma oficina para mulheres cujo o tema é relacionamentos possíveis.

Como amar e ser amada nos dias de hoje: vença este desafio

Este trabalho é fruto de muito estudo e dedicação as questões relacionais do feminino.

Sempre pensando que a tarefa de informar e ajudar a traduzir o conhecimento em melhora para as pessoas é um dos meus propósitos de vida, dou mais um passo.

Estou certa que o auto-conhecimento através dos métodos e técnicas que venho desenvolvendo será uma informação valiosa para todos os tipos de mulheres, pois irá ajudar a distinguir o que é da natureza essencial ou não e, desta forma, contribuir para escolhas possíveis e verdadeiras.

Um pouco da natureza relacional se herda, muito se aprende em casa e o restante vai sendo organizado e se estabelecendo nas interações sociais.

Ao longo dos anos de consultório tenho observado que quando uma pessoa consegue estar em contato com a sua natureza pode mais facilmente se equilibrar, tornando-se mais verdadeira, plena consigo e com as pessoas com quem se relaciona.

Pois...
Se a vida muda o tempo todo, que as experiências ensinem e a clareza possibilite refazer escolhas, reeleger prioridades e agir feliz de acordo com elas.

Meninas, senhoras e moças... Fica o convite!

Contato pelo telefone 33337052
Abraços a todas

10 de abril de 2009


Queridos amigos

Olhem que mensagem querida!
Recebi da equipe da Eliana Camejo

Feliz Páscoa!!!

Páscoa é...

Páscoa é ser capaz de mudar,
É partilhar a vida na esperança,
É lutar para vencer toda sorte de sofrimento.

Páscoa é dizer sim ao amor e à vida,
É investir na fraternidade,
É lutar por um mundo melhor,

É vivenciar a solidariedade.
Páscoa é ajudar mais gente a ser gente,
É viver em constante libertação,
É crer na vida que vence à morte.


Páscoa é renascimento, é recomeço,


É uma nova chance para gente melhorar as coisas que não gostamos em nós.


Para sermos mais felizes por conhecermos a nós mesmos mais um pouquinho e vermos que hoje somos melhores do que fomos ontem.

2 de abril de 2009

Diferenças femininas


A onda de programas falando da importância do toque e dos afetos para os relacionamentos, deu origem a muitas perguntas sobre a sexualidade feminina.

Por este motivo falemos no assunto... Mas pensei em iniciar pelos nuances e diferenças no comportamento relacional da mulher atual, já que a forma de ser sexual é conseqüência deste.

A mulher de hoje cada vez mais se sente livre para ser ela mesma e, desta forma, assumir seus reais desejos, jeitos e expressões. Concordam?

Isto é fantástico! Mas é justamente aí que começam as atuais dúvidas quanto aos comportamentos sexuais femininos.

Tenho visto que a ausência de padrões e papéis, antigamente tão bem estabelecidos, hoje faz com que mulheres e homens se percam com facilidade. Se as diferenças femininas tem dado um nó nos relacionamentos, imagine quando se trata de sexo, que, para algumas pessoas, parece um fantasma por si só.

A questão é que nós somos diferentes entre nós e, portanto diferentes na nossa forma de sentir, pensar e ser na sexualidade também.

Por este motivo tenho dito que a emergência atual das relações é ajudar as pessoas a se reconhecerem, a identificarem a si e aos outros e aprenderem como lidar com as diferenças.

Façamos isso quanto as relações sexuais, neste caso, as femininas.

Na visão de Tereza Grenshaw, uma estudiosa da sexualidade feminina, cada mulher tem um tipo de desejo e existem quatro tipos de manifestações: ativo (iniciante), receptivo (passivo), pró-ativo (sedutor), adverso (inverso). Só isto já dá um norte para entendermos porque, por exemplo, as mulheres estão se permitindo iniciar mais. Se ela for do tipo ativa, por exemplo, tem vontade de buscar, tomar a frente e não tem se intimidado, tem feito.

A questão é que todos nós não estávamos acostumados com esta postura, no máximo uma postura sedutora e hoje o que é seguir um movimento natural, por vezes soa muito estranho.

É preciso, como digo sempre, trocar os óculos para podermos entender que as mulheres que hoje tomam a iniciativa, simplesmente estão sendo o que já eram, mas não tinham coragem de expressar.

E tenha certeza que cada vez mais vai ser assim, cada uma com o que é.

Quanto a você menina, faz parte perder o medo de se entender e se assumir, seja do jeito que for, mais ativa ou passiva. Afinar o que vem de dentro com a possibilidade de fora é um alivio, facilita muitas coisas e dá uma satisfação.

Na seqüência vou ajudar mais trazendo os perfis de mulheres que venho estudando e trabalhando na medicina tradicional chinesa, jeitos de se expressar associados a tipos de naturezas. Vá acompanhando e, quem sabe, se entendendo um pouquinho mais.

24 de março de 2009

“É preciso trocar o óculos”.


Por vezes os ciclos de repetição e as sensações de becos sem saída são desanimadores e, nestas situações, as pessoas costumam ficar exauridas.

Quando isto acontece elas me perguntam se realmente existe essa coisa que se chamada paz de espírito.

A minha resposta é sim, mas as vezes precisamos promover e enxergar aquelas mudanças que fazem com que chegamos a isto.

“ É preciso abrir espaço para a paz de espírito.”

No I Ching temos a seguinte afirmação a este respeito:

Quando o poder da compreensão é dominante, quando o aspirante ao conhecimento está se polarizando no seu aspecto mental, os hábitos do passado tornam-se ativos, apresentam-se novamente com renovado vigor, o que confunde o praticante e lhe infunde a sensação de que nada evoluiu.

A percepção dos antigos problemas que acreditávamos ter resolvido manifesta-se como fantasmas atormentando a nossa consciência, fazendo-nos acreditar que eles nunca foram subjugados.

Na verdade muitos destes elementos nada tem de verdade, a não ser aquela que nós a atribuímos; porem, como eles aparecem com a velha roupagem de sensações passadas, mais a carga mental que colocamos, nos oferecem uma “miragem”.

“É preciso trocar o óculos”.

21 de março de 2009

Dia jornalístico

Ontem tive um final de dia muito jornalístico e eclético.

Estive as 18h no programa Cafézinho da rádio Pop Rock e conversei, com os meninos super inteligentes e ligados nas questões do psique, sobre o poder do abraço nos relacionamentos.
Foi divertido e muito proveitoso para os ouvintes que já se manifestaram querendo saber mais do tema dos afetos.

Parabéns ao grupo do Cafézinho que conduziu o bate papo de forma clara, alegre e inteligente. Foi um luxo!

A noite fui dar uma ajuda ao pessoal dos esportes e mais uma vez falei sobre relacionamentos brincando. O grupo do Show dos Esportes da Rádio Gaúcha faz um programa voltado para o publico masculino e a brincadeira foi sensibilizar os brutos que também amam. O Batata Pimentão, com inveja das mulheres, me xingou, o Alemão Von Mitzel queria dicas para manter tudo em dia, o Radicce quis saber como fazer milagres quando se abraça a Genoveva e o Pedro Ernesto me ajudou a explicar para os homens o que as mulheres pensam.

Jóia! Na brincadeira vamos passando as mensagens necessárias e as pessoas vão tirando dúvidas.

Abaixo a resposta a uma pergunta de um ouvinte da Pop Rock sobre “os apegos nos relacionamentos”:

Os apegos podem acontecer por diferentes razões e vão depender muito da pessoa em questão. Mas na base destes estão as nossas projeções, ou seja expectativas com relação a aqueles com quem nos relacionamos, a fixação na memória das experiências iniciais ou a reprodução de situações da infância.

Veja o exemplo, mas lembre-se que cada caso é um caso.

Você escolhe uma pessoa entre tantas para se aproximar porque algo nesta pessoa lhe toca. Este algo pode estar na aparência, na postura... esta atração inicial está associada a algum tipo de projeção que lhe diz que esta pessoa tem exatamente o que você está procurando ou que lembra um tipo de pessoa ou ainda que esta vá satisfazer algo em você...

Bem, se o encontro se concretizar, então o seu emocional vai ser validado, vai ser nutrido positivamente de alguma forma e, junto com isto, entra em trabalho um verdadeiro exército químico que vai registrando na sua memória sensações prazerosas quanto a presença desta pessoa.

Acredite isto vicia!

Dai se estabelece uma vontade de estar com esta pessoa, ao ponto da simples lembrança dela já lhe trazer prazer.

O fato é que nem sempre as coisas continuam saindo bem ou como você esperava, mas o nosso ser já internalizou uma possibilidade boa.

Aí é doloroso abrir mão do possível ...

Eu costumo dizer que é como deixar de fumar ou beber, primeiro precisamos da consciência racional se este contato está sendo bom ou não, por na balança, e depois se esforçar.

Bom início de semana e se alguém tiver mais dúvidas pode mandar.