17 de outubro de 2011

Eu voltei

Foram longos dias organizando a casa nova. Mudança é uma loucura, mas tudo tem suas compensações e eu, nestes dias de sumiço, estava me livrando de caixas e me sentindo cada vez mais feliz! Está sendo tão bom, o processo de ver, aos poucos, aparecer a minha cara, o meu jeito na casa que vai ser o "berço" dos próximos anos.

Nisso tudo me cai em mãos, ou melhor aos olhos, esta “piada”. Vejam que interessante. Eu acredito! Em vida após ao parto, após a formatura, após o casamento, após ao nascimento dos filhos, após as mudanças!! após a aposentadoria, após a morte... E tu?

No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao outro:
- Você acredita na vida após o nascimento?
- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui
principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está excluída – o cordão umbilical é muito curto.
- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.
- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas
encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia
prolongada na escuridão.
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.
- Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.
- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não
existe nenhuma.
- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela…

4 comentários:

LUÍS POETA disse...

Fantástica essa analogia. Se traçarmos um paralelo com a morte, mais fantástica ainda. Como fica claro a perda de tempo que é discutir o sexo dos anjos, digamos assim. A mente humana e a sua eterna necessidade de explicar o inexplicável e o desnecessário. O que seria da vida se nada nos surpreendesse? Como será "mamãe", ou como será "Deus", ou qual o sentido da "vida"? Só peço uma coisa, que ninguém me explique nada. Deixem que eu tire as minhas próprias conclusões. E já vou avisando, antes, durante ou depois, eu sempre serei otimista! Parabéns pela casa nova Cláudia, parabéns pelo novo "eu".

Esculpindo Ilusões disse...

Parabéns pela mudança.
Um excelente final de semana e curta muitoooo seu novo lar.

Carol Pavan disse...

Como disse o Poeta, que analogia perfeita para nossos grandes anseios e duvidas sobre Deus, vida apos a morte, enfim...
ADOREI!
E te desejo muitas coisas boas no novo lar!
Beeeeeeijoooooo

angelo alfonsin disse...

Poéticamente fantástico, um achado fictício, mas eu sou o bêbe que não crê em vida pós-parto.
É tudo do nada ao nada sem escalas.