10 de janeiro de 2012

Prece irlandesa

"Que o caminho seja brando a teus pés
O vento sopre leve em teus ombros
Que o sol brilhe cálido sobre tua face
As chuvas caiam serenas em teus campos
E até que de novo eu te veja
que os Deuses te guardem nas palmas de suas mãos."

Recebi esta prece por email hoje, achei tão linda!

Logo teremos novidades...novos ventos vem chegando...

28 de dezembro de 2011

I Ching para 2012

Uma das minhas tradições de ano novo é consultar o I Ching para o próximo ano. Faço isso para compartilhar com as pessoas que vem para a festa de virada na minha casa da praia. Na tardinha do dia 31 nós lemos o Hexagrama do próximo ano, refletimos e fazemos uma brincadeira de registrar pretensões de melhoras, em uma parede especial da casa.

Para quem não sabe o I Ching é um antigo livro de consultas chinês. Muitas dinastias foram regidas pelos seus ensinamentos e este deu origem a parte da filosofia chinesa.
Estou agora sentada em frente a tal parede e relendo o que foi escrito para 2011, é realmente muito certeiro.

2011 foi o ano do – Hexagrama 49 - A MUDANÇA “ O mais importante é mudar o seu caráter, isto é como o fogo refinando o ouro. O ouro não gosta, acha doloroso, mas depois de re-formado fica feliz.” Neste ano a mudança ocorrerá, na suavidade ou na dor, isto depende do aluno.

Pois eu sugiro uma reflexão sobre o seu ano que passou. Veja se isso se confirma, cada um do seu jeito...

O jogo de 2012 já foi feito. Hoje na tardinha fiz a meditação e o jogo das moedas.

Para 2012 teremos o - Hexagrama 24 - O COMEÇO HUMILDE “ Aquele que escolher o caminho do passo a passo simples, com força e suavidade terá sucesso”. A humildade dos inícios será a vitoria.

Comentário:
Após o profundo incomodo veio a mudança e o ritmo da vida, de alguma forma, foi modificado. Isto aconteceu para se atingir algum outro estágio de consciência. O “sem sentido”, de hábitos poderosos e carcereiros quer incluir novos horizontes – o novo atrai, mas o habito prende. Por isso O COMEÇO HUMILDE. O começo é por si mesmo, aos poucos, com humildade...não se pode mudar o mundo sem antes a si mesmo e a simplicidade torna o homem sábio. É preciso suscitar dentro de si a elevação de pensamento, a firmeza na ação suave e a escolha do propósito.

Interessante não? Para mim este Hexagrama confirma a continuidade de tudo, pois após o “desmanchar para mudar” vem “o começo com simplicidade e humildade”... E o mais importante, será “vitorioso quem tiver persistência e escolher sabiamente” – com simplicidade.

FELIZ ANO NOVO!!

23 de dezembro de 2011

Queridos amigos FELIZ NATAL


















Neste Natal, antes de mais nada, desfrutem!

O sentido do Natal é poder compartilhar com as pessoas com quem nos relacionamos. Nós este ano, de alguma forma, tivemos uma relação de troca de idéias, algumas vezes de apoio, e até de carinho.
Sem dúvida que é bom dar e ganhar presentes, mas melhor ainda é saber que sempre poderemos contar com algumas pessoas; que podemos nos alegrar com as conquistas de cada um e que, mesmo a distancia, podemos contar com um ombro amigo!

Desejo um FELIZ NATAL e que o ano de 2012 seja recheado de paz, amor, alegrias, respeito, compreensão, atitudes, apoios, aceitação, brincadeiras, sexo, dinheiro e muita saúde para todos nós e nossas famílias!
Que as motivações para a construção da nossa felicidade circulem entre nós e nos contagiem ao longo de todo o Ano Novo.

8 de dezembro de 2011

Ser “encontrado”

Hoje, terminando meus atendimentos do dia, flutuava em meus pensamentos uma frase que eu não lembro em que livro de Gestalt eu li e que é mais ou menos assim:

Cada um de nós, secreta e desesperadamente sonha em ser “encontrado”, pois o nosso mais profundo ser anseia por fazer contato consigo mesmo.
E, para dar o devido tom poético que o momento merece...


TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?


Ferreira Gullar

27 de novembro de 2011

Porque hoje é domingo

Acho que de uns tempos pra cá, depois do nenê que não permite mais tanto cinema na telona, se atirar no sofá para ouvir e garimpar músicas tem sido o grande prazer dos domingos a noite.


E na onda da mais pura autenticidade...todo “errado” é válido!

Eu procurava uma música do Macalé, mas achei esta do Jorge Mautner que é fantástica.


21 de novembro de 2011

Na linha de mudança


Varias vezes eu escrevi aqui que a vida é feita de ciclos e que estes ciclos são feitos de um conjunto de “coisas” que vão saindo do nosso foco para darem espaços a outras. Pois este processo esta muito intenso no meu momento profissional. Eu estou diminuindo alguns interesses para dar lugar a outros e este tem sido o motivo do meu silencio.
Lembrei aquelas mães que dizem que quando uma criança esta muito quietinha é que está aprontando. É eu estou aprontando, estou mudando a forma. Logo este espaço vai ter outra cara e o seu foco modificado, mas enquanto isso não acontece eu vou indo devagar, como quem está recolhido para deixar brotar.

A gente se transforma a partir das experiências que vai vivendo e eu, com a maternidade, passei por um intenso processo de deixar a teoria de lado para viver na pratica. O meu “ouvido” se transformou a minha ação e o meu caminho esta se redirecionando junto com os interesses. Cada vez mais a Gestalt-terapia, em seu aspecto mais fenomenológico, faz sentido e cada vez mais as suas idéias direcionam o meu olhar.

Lembrei da fala da querida Jean Clark dizendo que as idéias nos ajudam a organizar um mapa temporário que nos dão um certo senso de direção naqueles momentos, tão freqüentes e humanos, em que nos sentimos perdidos. Isto sempre me soou muito acalentador para aqueles que já acompanhei na sua linha de mudança. Aquele lugar que se fica quando o velho, do jeito que era, já não serve e o novo ainda não tem cara.

Pois bem que a teoria sirva para mim!


17 de outubro de 2011

Eu voltei

Foram longos dias organizando a casa nova. Mudança é uma loucura, mas tudo tem suas compensações e eu, nestes dias de sumiço, estava me livrando de caixas e me sentindo cada vez mais feliz! Está sendo tão bom, o processo de ver, aos poucos, aparecer a minha cara, o meu jeito na casa que vai ser o "berço" dos próximos anos.

Nisso tudo me cai em mãos, ou melhor aos olhos, esta “piada”. Vejam que interessante. Eu acredito! Em vida após ao parto, após a formatura, após o casamento, após ao nascimento dos filhos, após as mudanças!! após a aposentadoria, após a morte... E tu?

No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao outro:
- Você acredita na vida após o nascimento?
- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui
principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está excluída – o cordão umbilical é muito curto.
- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.
- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas
encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia
prolongada na escuridão.
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.
- Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.
- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não
existe nenhuma.
- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela…

18 de setembro de 2011

Com música tudo fica melhor

Das minhas favoritas... Uma inspiração para os melancólicos de final de domingo. Verdadeiro “presente”!



Primavera - José Miguel Wisnik

A primavera é quando ninguém mais espera
A primavera é quando não
A primavera é quando do escuro da terra
Acende a música da paixão

A primavera é quando ninguém mais espera
E desespera tudo em flor
A primavera é quando ninguém acredita
E ressuscita por amor

A primavera é quando ninguém mais espera
E desespera tudo em flor
A primavera é quando não acredita
E Ressuscita por amor

A primavera é quando ninguém mais espera
A primavera é quando não
A primavera é quando do escuro da terra
Acende a música da paixão

A primavera é quando ninguém mais espera
E desespera tudo em flor
A primavera é quando ninguem acredita
E Ressuscita por amor

A primavera é quando do escuro da terra
Acende a música do tesão

16 de setembro de 2011

“Conselho de psicóloga”

Se você é destes que precisa de desculpa para se divertir ok, eu dou uma ajuda. Nada como uma escapadinha pra quebrar o “todo dia sempre igual”. Nossa, a cidade está borbulhando cultura, do Em Cena a Bienal tem muita coisa boa... Vai ai a minha dica – de quem olha para as coisas do humano, mas porque não?

Histórias de Amor Líquido, com texto de Walter Daguerre, direção de Paulo José e um trabalho de ator divino. Esta é para hoje e amanha, mas tem muito mais. http://www.poaemcena.com.br/

Inspirada na leitura da obra “Amor Líquido – sobre a fragilidade dos laços humanos”, do sociólogo alemão Zygmund Baumann. O tema recorrente no livro são os vínculos sociais possíveis no mundo atual, neste tempo que se convencionou denominar de pós-modernidade, com uma radiografia aguda das agruras sofridas pelos homens e mulheres que têm de estabelecer suas parcerias no mundo globalizado. O que permanece do livro na encenação é, em primeiro lugar, a exploração de um conceito: a idéia de líquido, de liquefação. Para Baumann, o mundo globalizado é marcado por relações que se estabelecem com extraordinária fluidez, que se movem e escorrem sem muitos obstáculos, marcadas pela ausência de peso, em constante e frenético movimento. A peça apresenta três histórias originais de ficção, “Rua Sem Saída”, “A Corretora” e “A Casa da Ponte”, que possuem ao todo 13 personagens, mas foram escritas por Walter Daguerre para serem encenadas por apenas cinco atores. Essas histórias são mostradas com outra característica importante: estão fragmentadas ao longo do texto, uma se misturando com a outra, obrigando os atores – que dobram papeis, a passarem de um personagem com extrema rapidez e desenvoltura, formando um panorama contemporâneo sobre os relacionamentos amorosos dos quais fazemos parte hoje em dia.

5 de setembro de 2011

O despreparo da geração “eu mereço”

Claro que cada caso é um caso mas... acho que este texto pode servir para abrir os olhos dos pais super-protetores de hoje e ajudar alguns de vocês, que sofrem e não sabem bem porque, pois sempre tiveram “tudo”.

Dedico a aqueles que já se sentiram injustiçados por não terem nascido em “berço esplendido”, vejam o que isto lhes rendeu!


....Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.
Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.
Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.
É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?
Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.
Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.
Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.
Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.
Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.
Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.
Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência...



Retirado do texto Patrimônio da felicidade da jornalista Eliana Brum